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I still alive

Sophia, sumi por um tempo. Então irei atualizá-la do que passei ( de ruim, claro... você sempre me ajuda) esses meses:

Fui jogado pra escanteio, fui enganado, fui iludido, fui traído. 
Apostei fichas que nem tinha em um relacionamento estranho, onde apenas eu me dedicava e gostava. 
Corria atrás, tentava renovar o relacionamento toda vez que tinha uma "fase ruim", tentava fazer a pessoa feliz de todas as formas possíveis. E o que ganhei? Isso mesmo, ganhei maus tratos, falta de educação, ganhei selo de trouxa. Mas no fundo, ganhei experiência.
Passei por tudo. Exatamente tudo. Desde o crime básico ao mais feio mesmo. Fiz coisas terríveis, e hoje aprendi a como tratar os seres humanos. Aprendi a ser sincero com as pessoas que nos amam, ou que apenas gostam mesmo, que estão apaixonados por você... falar quando gosta e quando não gosta, porque assim, você não engana. 
A melhor forma de saber como reagir às situações é passando por elas, é se deixando à mercê de algumas vergonhas. Todo mundo tem que ter sentido vergonha para aprender à não se sujeitar à certas situações. 
Vergonha de assumir isso tudo? Nunca. 
Teria vergonha de esconder. 
---------------------
Agora, Sophia, estou vendo no que minha vida vai dar. Estou lutando pelo o que é meu, estou tatuando meu corpo ♥ ...
Estou apostando em mim. Estou tentando ser alguém que ainda pode ter um relacionamento, mas estou deixando as coisas livres. Estou averiguando.
Observando. 
Me contendo.
Lutando por dentro.
Estou vivo, Sophia, acho que foi essa mensagem que quis passar com esta carta. Ficarei bem.

Beijos, remetente. :/

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Lópolis, a cidade modelo.

Sophia, meu amor, hoje iremos ler uma metáfora (outra) sobre um contentamento descontente.


Havia uma cidade chamada Lópolis.
Existia muito excesso e pouca simplicidade. 
Era uma cidade que priorizava o luxo e os sanduíches vendidos por um palhaço.
Muita gente gorda, e nessa época - anos 2030 - já não existia pássaros, nem árvores, nem nada de natural. 
Circos com pessoas vestidas de tigres, zoológicos com gente que nascia com algum problema físico,
e claro, muita gente com o ego inflado e as mentes anoréxicas ( essa frase não é minha, agradeço ao José por ter postado isso ).
Tinha um cruzeiro chamado "Magnific Experience", em uma rua de aproximadamente 500 metros que era feita somente de água. Uma piscina urbana de 500 metros onde passava um barco enorme.
Embarcavam nesse "cruzeiro" de 15 minutos porque o mar já tinha secado à muito tempo, e o preço para fazer esta viagem magnífica era absurdamente caro.
Todos à bordo, malas prontas...
Gente acenando com lenços brancos e chorando porque a filha ia "embora" ... 
O cruzeiro era conhecido por seus casos amorosos que foram originados lá. 
Cá entre nós, todo "Titanic" tem seu Jack e sua Rose.. (rs)
Mas enfim, a viagem maravilhosa tinha direito à cheirinho de maresia e até barulho de gaivotas. Não é um máximo? 
Sim, um máximo. Pelo menos para a população de Lópolis. 

Beijos, remetente.

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Pas de deux, variação... chame como quiser.

Querida Sophia, a metáfora da vez é sobre uma parte minha que você já conhece. Ou pelo menos, achava que conhecia.


Apesar de ter deixado a dança, sinto que ela nunca me deixou por um todo.
Vezes eu me pego fazendo alongamentos... fazendo exercícios... fazendo posições de pés...
A dança foi presente na minha vida em todos os aspectos. Até mesmo no quesito sentimental.
A dança entre a tragédia e a comédia começa quando temos que sorrir para encobrir um choro.. ficar sério e sumir, quando uma conversa é necessária.
Quando você chora enquanto os outros estão rindo.
A minha variação, a variação de vida, nunca para. Nunca.
Ela se mostra presente em momentos ridículos e em até momentos importantes.
Tantas vezes eu me senti como num palco.
Chorando ao lado do palco, e depois forçando um sorriso pra entrar e se apresentar. Pra ficar"apresentável" para o público que quer somente que você mostre o que você pode dar.
O que você tem a oferecer.
Ninguém se preocupa com o bailarino. As pessoas vão assistir a apresentação para que aquilo posso proporcionar algo bom pra elas.
Não existe preocupação, não importa.
Nunca importa.
Você sorri, apresenta e sai sorrindo.
E depois, volta chorando. Normal. :)

Beijos, remetente.

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Não sou reciclável

Não sou lixo processado. Sou material biológico.
Material que se desgasta e que não pode ser reaproveitado.
Material que se desperdiçado, não se compra, nem se arruma de novo.
Sou o mais feio de todos o que já passaram pela sua frente.
Sou o mais infantil.
Sou o mais mimado.
Sou o mais fútil.
Sou o menos culto.
Sou o mais carente.
Sou o mais dependente.

Mas apesar de tudo:

Sou o que menos se expôs.
Sou o que nunca fez o que os outros fizeram.
Sou o que nunca se deixou levar por uma simples conversa de chat.
Sou o que menos aproveitou a vida.
Sou aquele que ama muitos, porque acredita que o amor é o principal pra tudo.
Sou aquele que ao mesmo tempo odeia todos.
Sou aquele que você um dia, vai entender o porquê de chorar tão fácil.


Talvez eu devia desabafar aqui, e desforrar tudo em pratos limpos. Talvez eu devesse.
Mas cada um vai interpretar de uma forma.

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TIRED



Que vontade de viajar, de sair daqui.
Tomar banho de cachoeira, e na água gelada lavar a alma dessa Goiânia.
O sol daqui é quente, mas o vento continua frio.
Vento frio, sem escrúpulos, que chicoteia sem pensar duas vezes.
Talvez eu precise só de alguns dias fora daqui. Alguns dias longe dessa bagunça, dessas mesmas caras, desse mesmo povo.
Talvez eu precise de um tempo longe de um monte de gente, e levar ao meu lado só aquela pessoa que anda me fazendo sorrir com frequência.
Talvez o que eu precise, é só de uma viagem.

“Cansada de tudo, a mulher abajour desligou sua lâmpada.”

Beijos, remetente.

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OH.... your smell


Cheguei em casa, tirei a roupa e tomei banho.

Deixei a água quente escorrer por meu corpo, deixei ela desintoxicar a pele.
Limpei o corpo e olfato ( porque o olfato? Você vai entender, Sophia )
Fui jogar a roupa no cesto de roupa suja, mas senti que algo estava diferente, senti um cheiro diferente aos cheiros habituais da minha casa.
Aproximei a camiseta do rosto e deixei aquele cheiro me lembrar de onde ele tinha vindo.
Era o seu cheiro. Seu cheiro.
Ele veio forte e sem dúvidas, e com ele trouxe lembranças.
Lembranças de um dia engraçado, onde rimos de coisas fúteis e de gente fútil.
Trouxe a lembrança de um abraço confortável, um abraço feliz, acompanhado com batimentos acelerados pela felicidade.
E também a lembrança da despedida, mas ela não foi ruim, ela trouxe alegria em saber que vou ficar ao seu lado.
Quando dei por mim, senti o rosto dolorido.
Era um sorriso que veio com cautela e que não havia deixado minha face desfazê-lo como os habituais. Ele veio, e ficou. Ficou por um bom tempo.
Coloquei a camiseta suja em um cabide, para que eu possa relembrar de ti com apenas um gesto: sentir o aroma que ela trouxe.
Um aroma inconfundível de um perfume específico: o perfume da sua pele.
Obrigado pelo dia maravilhoso, obrigado por fazer deste dia inesquecível em minha memória.
Obrigado.

Beijos, remetente. 

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Uma simples palavra : nostalgia


Dê PLAY antes de começar a ler.

Essa música, sem dúvida é a mais nostálgica que existe pra mim.
Quando eu tinha cerca de 9 anos, lembro que minha mãe colocava a rádio Executiva. Uma rádio local muito conceituada aqui em Goiânia, por passar músicas lindas e com um exímio gosto musical.
Como era sempre à noite, as músicas sempre eram românticas e melódicas... músicas que tocavam fundo, com um "quê" de depressivas.
À noite, quando ela ia se arrumar para sair, lembro até mesmo do cheiro do perfume que ela borrifava, quando essa música toca.
Lembro-me de chorar várias vezes pedindo que ela ficasse, ou que ela me deixasse ir com ela.
Como não tive um pai presente, morávamos eu e minha mãe somente, quando ela me deixava para sair para o seu "programa de adultos", eu sempre ficava muito triste com sua deixa.
A casa não tinha sentido, quando ela não estava, não tinha mais a cara da nossa casa.
Ela colocava um jeans azul profundo apertado, e com aquele corpo maravilhoso... Um corpo feminino e atraente.
Ela usava sempre alguma coisa decotada, com cores vibrantes e marcantes, como o vermelho: a cor preferida dela.
Do escarlate ao vinho, ela se desdobrava naquele degradê de cores em seu guarda roupas pra poder escolher o tom exato que a definia naquela noite.
Eu ficava sentado na cama, observando a minha simples mãe se transformar em uma bela mulher com aquelas poucas peças, e me perguntava: Porque ela não é assim o dia todo?
Ela usava uma fragrância específica: Animale.
Aquele perfume sempre foi a cara dela. Ele a definia.
O barulho do salto alto apressado na casa, procurando sempre por algo que pudesse colocar na bolsa. Algo útil. Cheguei um dia a pensar se eu caberia dentro daquela bolsa. Se eu poderia acompanhá-la dentro daquele objeto tão importante pra ela.
Eu nunca coube. Eu nunca fui.
Enquanto eu ficava em casa, ela ia se divertir.
Eu a amo, e eu sempre vou amá-la. Sempre.
Minha mãe, meu ídolo particular.
Eu não entendia na época, mas hoje eu vejo que meu sacrifício era apenas um pagamento por tudo o que ela lutou por mim. Por ela ter conseguido ter feito quem sou hoje, sozinha.
Sozinha, da mesma forma que eu ficava quando ela saia.

Beijos, remetente.

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D I G A


Ando esperando você me ligar, nem que seja pra dizer "oi" e depois se despedir.
Você diz "vem" e eu vou sem olhar o que estarei deixando pra trás.
Você diz "siga" e eu vou andando nesta corda bamba que não há final ainda.
Você diz "pule" e eu caio no seu colo, com a certeza de que estarei caindo em almofadas.
Você grita "voe" e eu abro as asas e deixo o corpo deslizar pelo ar do teu sopro, aquele mesmo sopro que me faz tremer quando sinto você respirar no meu pescoço.
E se um dia você disser "vai" eu dou as costas e vou. Dou as costas, porque não quero que me veja chorando enquanto estiver partindo.

Um beijo, remetente.

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Conselhos à Sophia, meu alter ego.

Ensaio fotográfico feio por Lohayne e Nayara Dias.

O mal do detalhista é prestar atenção em pequenas coisas.
Já disse isso uma vez e repito: pequenas atitudes malvadas só mostram um fragmento do mundo de maldade arquitetado quando ninguém está olhando.
As pessoas tem o falso pensamento de achar que não conseguem ser lidas, não conseguem ser expostas. Isso é um engano.
Algumas pessoas conseguem enxergar a alma, a essência.
Se você já desejou o mal de alguém por pelo menos uma vez, ou pensou na pessoa com desprezo, a essência de uma relação saudável já se foi. Já não existe mais.
O que me difere de tantos outros, é que tudo o que eu faço está exposto para os olhos daqueles que conseguem ver.
Precisamos mesmo nos adaptar ao ambiente em que vivemos, seja ele ruim, ou não.

Por isso eu digo, cara Sophia:

Só ligue se quiser mesmo falar com a pessoa, só convide para vê-la se você realmente deseja estar com aquela pessoa por cada minuto que aquele encontro puder durar. Só fale que ela existe para você se realmente ela é materializada na sua mente de forma saudável.
Sophia, não deixe o mundo lhe enganar. Apesar de não parecer, existe muita gente ruim andando por aí.

Beijos, remetente.

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Noite, chuva e você.


Esta noite foi diferente.
Quando vi que o mundo já não estava fazendo sentindo mais, que as coisas já não estavam mais se encaixando, quis ir me deitar.
Deitei ao seu lado e fiquei fazendo carícias na suas costas, brincando com seus dedos, até você pegar no sono.
Fiquei te observando por um bom tempo, iluminado por aquela frestinha de luz que entrava pela janela.
Você dormia de forma engraçada, fazendo caretas e de vez em quando se assustava e acordava. Chegava mais perto de mim e me aquecia.
Me aquecia daquele tempinho frio que me fazia tremer.
Quando penso que não, começa a chover.
Ah! A chuva. Linda e reluzente, com seu cheiro de renovação. Seu cheiro de vida.
Te abracei e fiquei ali, cochilando e acordando em incontáveis vezes. Acordando pra ver se você estava bem, se você dormia em paz.
Minha mente estava calada. Apenas escutava silenciosamente a chuva que descia sem parar do lado de fora da casa.
Você me faz feliz.
Obrigado.



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Sophia, hoje você irá ler uma história em forma de metáfora. Se divirta tentando descobrir ao que se refere, pelo o que você já leu de mim. Boa leitura.



A recíproca não é verdadeira

Ela era uma mulher que vivia para ele. Fazia comida, lavava, passava... como uma boa parceira.
Talvez ela o amasse demais. Talvez o erro dela foi colocá-lo em sua vida quando ele nem sabia sair da própria vida.
Enquanto ele não chegava, ela sempre lia algum livro no sofá, ao lado do abajour que ficava no criado mudo. A sala escura, com um clima sombrio talvez, era o que a confortava enquanto ele ainda estava para chegar. A comida já estava pronta à horas e ele não comparecia.
A cama já estava feita, para que os dois pudessem assistir algo juntos antes de dormir.
Ela ficava à tanto tempo naquele lugar, que já fazia parte daquele local. Já era um abajour, que ligava e desligava sua luz quando ele quisesse. Se fosse para defini-la como alguma parte da casa, certamente seria esta. 
Ele sempre ligava dizendo que iria chegar depois das três, porque iria passar em algum bar com amigos, ou porque iria trabalhar até mais tarde. Chegava tarde, saia cedo. Sempre.
Ela era sempre esperançosa, amável e prestativa. Como um cãozinho adestrado que queria proteger seu “dono”. Ela achava que devia protegê-lo de tudo: de dores emocionais e físicas – sempre disposta a fazer uma massagem relaxante quando necessário -, de problemas de casa – que ela fazia questão de não preocupá-lo com coisas que ele dizia serem “fúteis demais”.
Assim se passaram meses: ela esperava, ele não chegava. E quando chegava cedo, queria dormir rápido. Nem comia, pois já tinha comprado algo pra comer na rua.
Um dia ele marcou de ir vê-la mais cedo, era aniversário de namoro. Ela tinha feito uma sobremesa especial, já que ele iria comer pizza. Ele amava pizza.
Resolveu ler seu livro enquanto o esperava. Acendeu a luz do abajour, e se deitou no sofá que já tinha o formato de seu corpo.
Ela olhava para o relógio impaciente, depois de meia hora de atraso.
“- Onde ele está? Ele falou que iria chegar às onze.”
(...)
Já eram  duas da manhã e ele ainda não tinha chegado. Não havia sms, nem chamadas não atendidas.
Duas e meia e nada dele.
Duas e quarenta e cinco chega um sms dizendo: Vou chegar logo, me espere.
Ela resolveu esquentar a sobremesa, já que ele poderia ficar chateado com a comida fria.
Três e meia da manhã e ele ainda não havia chegado. Ela já havia chorado algumas vezes, pensado em muitas coisas de sua vida.
Quatro horas, e ela já estava no final do livro.
Ele não havia aparecido, e parecia que não se importava.
Cansada de esperar, a mulher abajour então desligou sua lâmpada.

Depois que ele viu o que perdeu,enquanto a mulher abajour gritava por sua presença, toda a dor voltou. Ela apenas desligou seus sentimentos. Apenas apagou sua lâmpada. Já ele, ficou no escuro, pois toda a luz que irradiava dela o alimentava.

Beijos, remetente.

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Coração de gato tem nove vidas, e lanternas serão acesas por algumas delas.



   Dizem que quando se deixa alguém ir, ou quando a ida de alguém te machuca, uma parte de você morre. Não estou falando somente de morte de parentes, falo também de abandonos causados por outras pessoas que continuam vivas.
   Eu penso que já fui muito machucado nesta vida por pessoas que infelizmente não me deram valor, ou pessoas que realmente não eram feitas para mim. Muitas delas não eram.
Se cada vez que fui machucado, alguma parte de mim morreu, tenho certeza que foi meu coração. Meu coração morreu algumas vezes por pessoas que não souberam me deixar, e assim, abriram um buraco que ainda pulsa de forma dolorida cada vez que lembro delas.
   Pessoas que talvez nem lembram da minha existência, mas que por algum tempo, não saíram da minha mente.
   Há uma tradição no Japão que me intriga com frequência, toda vez que lembro: Eles acendem lanternas quando estão de luto, para que elas voem e levem com elas todo aquele passado. Deixando para trás tudo o que lhes machucaram. Estava pensando em comprar lanternas japonesas e entrar de luto por cada parte do meu coração que foi morta por pessoas que continuam vivas. Engraçado, não? Talvez seja a única forma de deixar para trás tudo o que aconteceu.
   Recentemente, mais uma parte do meu coração secou. Uma traição que veio de onde eu não esperava. Uma traição feita por alguém que eu não esperava. Se eu comprar as lanternas, o nome dessa pessoa não será citado na hora de acendê-la, mas sim a atitude dela. Uma pessoa que amo traiu minha confiança e me deixou aqui, sem saber o que fazer em relação à ela. Sendo que vejo que cada passo que ela dá, é para o bem dela, e não pelo meu. As circunstâncias não mudaram.
   Eu já previa o que anda acontecendo nas minhas costas, porque já tinha visto algo parecido vindo desta pessoa. Eu tive certeza de tudo quando olhei nos olhos dela, fiz a pergunta, e ela não soube mentir.
Mas enfim, se eu comprar as lanternas, vou nomeá-las. Vou falar o nome de cada um que já me deu as costas de uma forma fatal. Menos uma delas, que será enviada aos céus por culpa de uma atitude.
Obrigado por me escutar, Sophia. Estava engasgado e me lembrei que minha confidente sempre está aqui para me confortar de forma indireta. Uma presença indireta que às vezes faz mais diferença do que quem convive comigo.

Um beijo, seu único remetente.

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Um pedido.

Nesse último mês descobri uma coisa interessante, que não tinha se esclarecido na minha mente: podemos amar mais de uma pessoa durante a vida.
Dói ver pessoas que eu queria ao meu lado com outras, ou então sozinhas, perdidas... sem saber para onde ir, o que fazer com seus corações machucados.
Queria poder ser o porto seguro de quem tanto sofre por razões sentimentais. Ou ajudar com organizações da casa, talvez.
Te ver feliz é meu foco. É meu dever te proporcionar felicidade, e estou ciente que ela pode não ser comigo.
O que peço, do fundo do meu coração, para quem está do seu lado é:

- Apenas cuide bem dele. ♥

Beijos, seu único remetente.

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Nostalgia


Cena do seriado "The vampire diaries"


Talvez as pessoas não tenham parado para pensar o quanto as artes tem poderes sobre o que vivemos.
Como elas podem marcar um momento, uma atitude, um erro.
As artes foram criadas para responder e satisfazer questões que talvez não tenham uma resposta naquele momento. Ela satisfaz desejos que não sabemos definir quais são. Ela cala a alma quando esta tenta sair para resolver o que lhe incomoda.
Uma das formas mais artísticas de retornar sentimentos, ter nostalgias e afins, é a música. Ela nos transporta, nos atinge e às vezes, nos machuca.
A música nos permite invocar fantasmas do passado, desenterrar assuntos mal resolvidos, desestruturar fortalezas que se construíram com o tempo e talvez até, romper barreiras que talvez não puderam ser rompidas por ausência de força de determinada época.
Escutando a música “Shelter – The XX” remexi coisas que estavam adormecidas à alguns meses. Coisas que havia superado e que só agora consegui  ver que não me fazem mal. Não mais. Vão continuar doendo, como toda experiência ruim que você teve que lidar, mas não machucam.
Nunca tinha parado para prestar atenção em sua letra. Apenas sabia que ela fazia algum sentido naquela época, sem ao menos saber o que dizia.
Hoje, acordei com essa música na cabeça e resolvi buscar sua letra. Agora eu entendo.

Shelter - The XX

I find shelter, in this way
Under cover, hide away
Can you hear, when I say?
I have never felt this way

Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on
Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on

Could I be, was I there?
It felt so crystal in the air
I still want to drown, whenever you leave
Please teach me gently, how to breathe

And I'll cross oceans, like never before
So you can feel the way I feel it too
And I'll mirror images back at you
So you can see the way I feel it too

Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on
Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on

Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on


Beijos, remetente.

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A verdade pelo telefone.




- Oi, mamãe. Tudo bem?
- Tudo, meu filho. Não vou nem perguntar se você está bem, já sei a resposta.
- Pois é, nem preciso falar nada né?
- Faz tempo que eu queria conversar sobre isso com você. Você está sofrendo por coisas do seu coração, não é?
- Ahã.
- Notei isso em você quando você desligou o telefone e ficou angustiado. Você não é assim. Quando você ficava chateado, você ficava nervoso. Hoje em dia você fica calado, mudo. Não fala nada, apenas pensando e se torturando. Você tem que se amar mais, meu filho.
- Eu sei.
- Meu filho, o amor não causa angústia. Ele não faz você sofrer, não te faz triste. O amor causa alegria, não dependência. Você deve partilhar sua vida com outra pessoa, não viver somente a dela.
- Entendo.
- Nem ficar irritado você fica mais. Não tenho imagens de você assim. Você sempre foi forte, decidido, talvez até demais. Você chegava a ser amargo com as pessoas. Seu lado amargo deve ser usado com pessoas que não merecem seu amor.
- Uhum.
- Você está meio decaído, sem ânimo. Quando eu passava por coisas iguais as que você está passando agora... quando eu ficava abalada com alguma coisa.. quanto mais triste eu estava, mais bonita eu queria ficar. Você tem que se preocupar com você, não parar sua vida pelos outros. Tenho certeza que ninguém parou a vida por você ainda. Estou errada?
- Não.
- Então. Seu mundo anda tão escuro que o dia e a noite se igualaram para você. Você dorme às 6 da manhã e acorda às 6 da tarde. Fica escutando música , calado.
- Entendo.
- E, pra terminar, notei que você se mudou totalmente. Tem algum motivo pra isso?
- Sim, estava cansado de mim.
- Você não pode se cansar de você.  Se a convivência com você mesmo está ruim, você não conseguirá suportar ninguém além de você mesmo. Você não deve mudar por ninguém, Gustavo.
- Ok.
- Amanhã você vem pra casa?
- Vou sim.
- Ok, então. Boa festa. Te amo.
- Também te amo, mamãe.
- Fique com Deus, tchau.
- Tchau.


Beijos, remetente.

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Te escolhi para ser meu chocolate. Mas você ainda é avelã.

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Desabafo


                                                        Grace Jones                                                        


Ele dizia que seriamos como irmãos
e hoje me trata como um estranho.
Ele dizia que como éramos só amigos, 
não poderíamos ter nada.
E mesmo assim, pediu que eu me deitasse
para que agora me tratasse com indiferença.
Dizia também que não queria que eu me afastasse 
quando eu cansasse da presença dele.
Hoje, ele não liga com frequência
como fazia antes.
Ele falava sobre um coração não curado,
e de ressaca amorosa.
Ele perguntou se continuaríamos sendo amigos,
independente do que houve.
Eu continuei com a nossa amizade, 
onde o tempo havia parado.
Ele deixou que o mesmo amarelasse as páginas de algo que nem começou.

Às vezes, quando a hipocrisia bate, o melhor a fazer é deixá-la tocar. A imaturidade pode deixá-la entrar e, depois de acomodada, ela toma a forma do dono da casa. 

Abraços, remetente.

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Friendship




Trecho do seriado “IN THE FLESH”, onde Kieren e Amy discutem sobre suas mortes.
___________________________________________________

Amy diz:

- Você teve a chance de se despedir?
Kieren:
- O quê?
- Você sabe, de se despedir da sua família. Como você morreu, Kieren?
Kieren se mantém calado, então Amy  se levanta, abre o vestido, e mostra as marcas de sua morte em sua barriga.
- O que houve? – disse Kieren
- Leucemia. - responde ela.
Kieren fica surpreso, e então ela continua:
- Lembro que meu  último pensamento foi que era tão injusto. Fui tirada do jogo antes de começar a jogar.

Ele olha para ela com olhos de pena.

- Qual foi seu último pensamento? – diz ela, por fim.
Ele responde:
- Não sei como. Só me lembrava das sensações. Mas eu sentia alívio.

Ela o encara com curiosidade, e diz:
- Alívio?
Ele apenas balança a cabeça, afirmando. Amy então, resolve refazer  a pergunta mais difícil da noite:
- Como você morreu, Kieren Walker?
Ele abaixa a cabeça e arregaça as mangas do moletom, deixando visíveis as marcas dos cortes na vertical que tinha feito no próprio pulso.
Ela, pegando em seus braços, pergunta:
-Por quê?
Então ela o abraça. Kieren se pega olhando para o quadro que ele pintou quando era totalmente vivo do causador daquele infortúnio. O quadro  que tinha pintado o rosto do causador da morte dele.

_____________________________________


Este post não é focado em falar de suicídio, ou de amores falidos. Fala sobre amizade. No seriado “In the flesh”,  que se consiste em apenas três capítulos, a história se baseia em falar de zumbis que com a ajuda do governo encontraram  a “cura” para voltarem a viver. São chamados de portadores de uma síndrome de falecimento parcial. Kieren (personagem principal) cometeu suicídio depois que o amor da sua vida (Rick) se alistou para o exército e morreu no Afeganistão. Depois de voltar à vida, e ser tratado com o medicamento correto, Kieren encontra Amy por acaso e os dois ficam amigos.

Quis transcrever este trecho, que faz parte do segundo episódio, porque me chamou atenção o quanto a amizade das pessoas  pode ser algo valioso.  A característica marcante de não confundir as coisas e de entender que situações não podem ser comparadas. Em cada vida, uma luta. Em cada luta, uma pessoa. Cada um com seus motivos em particular de fazer seus atos. Alguns não aguentam, não suportam a pressão e preferem deixar o caminho pela metade. Outros, suportam e fazem de suas batalhas uma forma de aprendizado.
Estou procurando pessoas que compreendam o que ando fazendo comigo mesmo. Talvez, para conseguir entender, pois sozinho não consegui ainda.
Tenho conselheiros espalhados pelo mundo. Conselheiros que vivem me ajudando com minhas atitudes. Algumas “Amys” que entedem este Kieren aqui. :)

Beijos, remetente.




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Adventures in solitude


A vida se resume em acreditar em algo. Ela se baseia nisso. Algumas pessoas acreditam que se fizerem o seu nome valer a pena, seu nome ser notado, elas terão mudado algo. Algumas outras se contentam em ter um trabalho que renda frutos duradouros e assim, podem passar sua velhice de uma forma confortável com a recompensa de uma vida onde o trabalho lhes proporcionou aquilo.
Eu acredito no amor. Acredito que o amor pode mudar, salvar e dar continuidade à minha vida. Acredito que se eu encontrar minha cara metade, ou apenas saber que ela existe, eu posso ter uma vida confortável pelo resto dos meus dias aqui nesse mundo frio.
Talvez, um dia, eu possa mudar de ideia, mas isto é o que me prende agora. É o que me prende e é o que me liberta. É o paradoxo de extremos que se ligam pelas diferenças.
Talvez, um dia, eu possa rir abraçado com quem amo e assim, me sentir completo. Me sentir como alguém que vive bem e vive da forma que queria ter vivido.
O sonho do amor, ainda perturba minhas noites. Ainda ocupa minha mente durante algumas horas do dia. É o que penso durante o dia, durante a tarde, durante a madrugada e durante o sono.
Ouvi uma história,  revendo o filme “O amor pede passagem”, que um vietnamita teve seus pais mortos na guerra do Vietnam com os Estados Unidos. Ele, depois de ter sua família devastada por um simples acaso, teve que se mudar para a América do Norte – Estados Unidos da América, para ser mais exato – para reconstruir sua vida. A falta de opção, o levou para lá. Como um dente de leão levado ao vento para onde o mesmo escolhesse.
Este homem, virou monge, cresceu e viveu dentro de uma população que destruiu seu destino e até mesmo seus sonhos infantis. E ele aprendeu a ser feliz assim.
É isso que vou fazer. Vou deixar todo o meu sonho, tudo o que quis um dia pra mim, para viver minha vida. Mesmo que isto me cause náuseas, mesmo que isto me entristeça no começo.
Vou viver conforme a sociedade pede que eu seja, a mesma sociedade que um dia destruiu meu sonho, que um dia jogou pedras em mim por estar vestido de forma diferente.
Vou me transformar no modelo de um homem perfeito. No modelo de homossexual que as pessoas querem ver. Cortei os cabelos e com eles cortei antigos hábitos.
A partir de hoje, o Gustavo vai ser apenas normal. Apenas uma pessoa comum.
E por quê?
Porque eu quero encontrar o meu amor, encontrar a minha vida. Encontrar o que me completa. Independente do que eu tenha que mudar. Acredito que minha mudança trará mudanças. Acredito que minha plantação neste solo que um dia foi fértil, vá trazer frutos que vão me satisfazer pela minha velhice.
O amor pode me mudar, pode me completar. Apenas ele. Independente de quantas rasteiras tive que tomar, independente da quantidade de tombos e tropeços que tive, levantei o queixo e limpei os joelhos ralados.
 Minha mente pede para que eu continue deitado no chão, para evitar uma outra decepção. Mas sei que tenho que levantar para ver quem está na minha frente nesta estrada. Para poder ver se consigo alcançar aquela pessoa que pode me completar enquanto caminho sozinho.
Se isto não for o certo, eu vou saber, da mesma forma que mudei um dia. Da mesma forma que deixei de ser o garoto normal, para me transformar em uma pessoa que quebra tabus e regras de vestimenta.
A minha essência nunca vai ser perdida, prometo. Mas minha forma de ser tem que ser mudada por hora. Depois deste sábado, que considero um rito de passagem, serei normal.
Esperando por um “MIKE”, que também mude por mim.
Acredite: um filme pode ser uma forma de você perceber o que você precisa fazer. Dentro daquele curta ou longa metragem pode conter uma mensagem importante. Uma mensagem que você já tenha visto, mas que não servia para você naquele momento.

Beijos, remetente.

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Duas noites, três sonhos

Voltei a sonhar. Depois de meses dormindo e acordando somente para descansar, sem tempo de sonhar.
Acordando com pensamentos nada produtivos. Talvez seja um sinal.
Nessas duas ultimas noites, sonhei com pessoas que me fazem bem. Sonhos totalmente distintos uns dos outros - e um deles, eu não lembro detalhes -, porém, percebi que acordei feliz.
Me levantei bem, como se algo muito bom tivesse acontecido.
E na verdade aconteceu: minha mente ficou mais criativa, e mais uma vez, me enchi de expectativas.
Expectativas de uma vida melhor, de um futuro bom, e de um conforto plausível. Pelo menos, financeiro.
No quesito amoroso, a mesma coisa. Escolha de chocolates.

Um beijo, remetente.

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