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D I G A


Ando esperando você me ligar, nem que seja pra dizer "oi" e depois se despedir.
Você diz "vem" e eu vou sem olhar o que estarei deixando pra trás.
Você diz "siga" e eu vou andando nesta corda bamba que não há final ainda.
Você diz "pule" e eu caio no seu colo, com a certeza de que estarei caindo em almofadas.
Você grita "voe" e eu abro as asas e deixo o corpo deslizar pelo ar do teu sopro, aquele mesmo sopro que me faz tremer quando sinto você respirar no meu pescoço.
E se um dia você disser "vai" eu dou as costas e vou. Dou as costas, porque não quero que me veja chorando enquanto estiver partindo.

Um beijo, remetente.

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Conselhos à Sophia, meu alter ego.

Ensaio fotográfico feio por Lohayne e Nayara Dias.

O mal do detalhista é prestar atenção em pequenas coisas.
Já disse isso uma vez e repito: pequenas atitudes malvadas só mostram um fragmento do mundo de maldade arquitetado quando ninguém está olhando.
As pessoas tem o falso pensamento de achar que não conseguem ser lidas, não conseguem ser expostas. Isso é um engano.
Algumas pessoas conseguem enxergar a alma, a essência.
Se você já desejou o mal de alguém por pelo menos uma vez, ou pensou na pessoa com desprezo, a essência de uma relação saudável já se foi. Já não existe mais.
O que me difere de tantos outros, é que tudo o que eu faço está exposto para os olhos daqueles que conseguem ver.
Precisamos mesmo nos adaptar ao ambiente em que vivemos, seja ele ruim, ou não.

Por isso eu digo, cara Sophia:

Só ligue se quiser mesmo falar com a pessoa, só convide para vê-la se você realmente deseja estar com aquela pessoa por cada minuto que aquele encontro puder durar. Só fale que ela existe para você se realmente ela é materializada na sua mente de forma saudável.
Sophia, não deixe o mundo lhe enganar. Apesar de não parecer, existe muita gente ruim andando por aí.

Beijos, remetente.

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Noite, chuva e você.


Esta noite foi diferente.
Quando vi que o mundo já não estava fazendo sentindo mais, que as coisas já não estavam mais se encaixando, quis ir me deitar.
Deitei ao seu lado e fiquei fazendo carícias na suas costas, brincando com seus dedos, até você pegar no sono.
Fiquei te observando por um bom tempo, iluminado por aquela frestinha de luz que entrava pela janela.
Você dormia de forma engraçada, fazendo caretas e de vez em quando se assustava e acordava. Chegava mais perto de mim e me aquecia.
Me aquecia daquele tempinho frio que me fazia tremer.
Quando penso que não, começa a chover.
Ah! A chuva. Linda e reluzente, com seu cheiro de renovação. Seu cheiro de vida.
Te abracei e fiquei ali, cochilando e acordando em incontáveis vezes. Acordando pra ver se você estava bem, se você dormia em paz.
Minha mente estava calada. Apenas escutava silenciosamente a chuva que descia sem parar do lado de fora da casa.
Você me faz feliz.
Obrigado.



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Sophia, hoje você irá ler uma história em forma de metáfora. Se divirta tentando descobrir ao que se refere, pelo o que você já leu de mim. Boa leitura.



A recíproca não é verdadeira

Ela era uma mulher que vivia para ele. Fazia comida, lavava, passava... como uma boa parceira.
Talvez ela o amasse demais. Talvez o erro dela foi colocá-lo em sua vida quando ele nem sabia sair da própria vida.
Enquanto ele não chegava, ela sempre lia algum livro no sofá, ao lado do abajour que ficava no criado mudo. A sala escura, com um clima sombrio talvez, era o que a confortava enquanto ele ainda estava para chegar. A comida já estava pronta à horas e ele não comparecia.
A cama já estava feita, para que os dois pudessem assistir algo juntos antes de dormir.
Ela ficava à tanto tempo naquele lugar, que já fazia parte daquele local. Já era um abajour, que ligava e desligava sua luz quando ele quisesse. Se fosse para defini-la como alguma parte da casa, certamente seria esta. 
Ele sempre ligava dizendo que iria chegar depois das três, porque iria passar em algum bar com amigos, ou porque iria trabalhar até mais tarde. Chegava tarde, saia cedo. Sempre.
Ela era sempre esperançosa, amável e prestativa. Como um cãozinho adestrado que queria proteger seu “dono”. Ela achava que devia protegê-lo de tudo: de dores emocionais e físicas – sempre disposta a fazer uma massagem relaxante quando necessário -, de problemas de casa – que ela fazia questão de não preocupá-lo com coisas que ele dizia serem “fúteis demais”.
Assim se passaram meses: ela esperava, ele não chegava. E quando chegava cedo, queria dormir rápido. Nem comia, pois já tinha comprado algo pra comer na rua.
Um dia ele marcou de ir vê-la mais cedo, era aniversário de namoro. Ela tinha feito uma sobremesa especial, já que ele iria comer pizza. Ele amava pizza.
Resolveu ler seu livro enquanto o esperava. Acendeu a luz do abajour, e se deitou no sofá que já tinha o formato de seu corpo.
Ela olhava para o relógio impaciente, depois de meia hora de atraso.
“- Onde ele está? Ele falou que iria chegar às onze.”
(...)
Já eram  duas da manhã e ele ainda não tinha chegado. Não havia sms, nem chamadas não atendidas.
Duas e meia e nada dele.
Duas e quarenta e cinco chega um sms dizendo: Vou chegar logo, me espere.
Ela resolveu esquentar a sobremesa, já que ele poderia ficar chateado com a comida fria.
Três e meia da manhã e ele ainda não havia chegado. Ela já havia chorado algumas vezes, pensado em muitas coisas de sua vida.
Quatro horas, e ela já estava no final do livro.
Ele não havia aparecido, e parecia que não se importava.
Cansada de esperar, a mulher abajour então desligou sua lâmpada.

Depois que ele viu o que perdeu,enquanto a mulher abajour gritava por sua presença, toda a dor voltou. Ela apenas desligou seus sentimentos. Apenas apagou sua lâmpada. Já ele, ficou no escuro, pois toda a luz que irradiava dela o alimentava.

Beijos, remetente.

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Coração de gato tem nove vidas, e lanternas serão acesas por algumas delas.



   Dizem que quando se deixa alguém ir, ou quando a ida de alguém te machuca, uma parte de você morre. Não estou falando somente de morte de parentes, falo também de abandonos causados por outras pessoas que continuam vivas.
   Eu penso que já fui muito machucado nesta vida por pessoas que infelizmente não me deram valor, ou pessoas que realmente não eram feitas para mim. Muitas delas não eram.
Se cada vez que fui machucado, alguma parte de mim morreu, tenho certeza que foi meu coração. Meu coração morreu algumas vezes por pessoas que não souberam me deixar, e assim, abriram um buraco que ainda pulsa de forma dolorida cada vez que lembro delas.
   Pessoas que talvez nem lembram da minha existência, mas que por algum tempo, não saíram da minha mente.
   Há uma tradição no Japão que me intriga com frequência, toda vez que lembro: Eles acendem lanternas quando estão de luto, para que elas voem e levem com elas todo aquele passado. Deixando para trás tudo o que lhes machucaram. Estava pensando em comprar lanternas japonesas e entrar de luto por cada parte do meu coração que foi morta por pessoas que continuam vivas. Engraçado, não? Talvez seja a única forma de deixar para trás tudo o que aconteceu.
   Recentemente, mais uma parte do meu coração secou. Uma traição que veio de onde eu não esperava. Uma traição feita por alguém que eu não esperava. Se eu comprar as lanternas, o nome dessa pessoa não será citado na hora de acendê-la, mas sim a atitude dela. Uma pessoa que amo traiu minha confiança e me deixou aqui, sem saber o que fazer em relação à ela. Sendo que vejo que cada passo que ela dá, é para o bem dela, e não pelo meu. As circunstâncias não mudaram.
   Eu já previa o que anda acontecendo nas minhas costas, porque já tinha visto algo parecido vindo desta pessoa. Eu tive certeza de tudo quando olhei nos olhos dela, fiz a pergunta, e ela não soube mentir.
Mas enfim, se eu comprar as lanternas, vou nomeá-las. Vou falar o nome de cada um que já me deu as costas de uma forma fatal. Menos uma delas, que será enviada aos céus por culpa de uma atitude.
Obrigado por me escutar, Sophia. Estava engasgado e me lembrei que minha confidente sempre está aqui para me confortar de forma indireta. Uma presença indireta que às vezes faz mais diferença do que quem convive comigo.

Um beijo, seu único remetente.

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Um pedido.

Nesse último mês descobri uma coisa interessante, que não tinha se esclarecido na minha mente: podemos amar mais de uma pessoa durante a vida.
Dói ver pessoas que eu queria ao meu lado com outras, ou então sozinhas, perdidas... sem saber para onde ir, o que fazer com seus corações machucados.
Queria poder ser o porto seguro de quem tanto sofre por razões sentimentais. Ou ajudar com organizações da casa, talvez.
Te ver feliz é meu foco. É meu dever te proporcionar felicidade, e estou ciente que ela pode não ser comigo.
O que peço, do fundo do meu coração, para quem está do seu lado é:

- Apenas cuide bem dele. ♥

Beijos, seu único remetente.

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Nostalgia


Cena do seriado "The vampire diaries"


Talvez as pessoas não tenham parado para pensar o quanto as artes tem poderes sobre o que vivemos.
Como elas podem marcar um momento, uma atitude, um erro.
As artes foram criadas para responder e satisfazer questões que talvez não tenham uma resposta naquele momento. Ela satisfaz desejos que não sabemos definir quais são. Ela cala a alma quando esta tenta sair para resolver o que lhe incomoda.
Uma das formas mais artísticas de retornar sentimentos, ter nostalgias e afins, é a música. Ela nos transporta, nos atinge e às vezes, nos machuca.
A música nos permite invocar fantasmas do passado, desenterrar assuntos mal resolvidos, desestruturar fortalezas que se construíram com o tempo e talvez até, romper barreiras que talvez não puderam ser rompidas por ausência de força de determinada época.
Escutando a música “Shelter – The XX” remexi coisas que estavam adormecidas à alguns meses. Coisas que havia superado e que só agora consegui  ver que não me fazem mal. Não mais. Vão continuar doendo, como toda experiência ruim que você teve que lidar, mas não machucam.
Nunca tinha parado para prestar atenção em sua letra. Apenas sabia que ela fazia algum sentido naquela época, sem ao menos saber o que dizia.
Hoje, acordei com essa música na cabeça e resolvi buscar sua letra. Agora eu entendo.

Shelter - The XX

I find shelter, in this way
Under cover, hide away
Can you hear, when I say?
I have never felt this way

Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on
Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on

Could I be, was I there?
It felt so crystal in the air
I still want to drown, whenever you leave
Please teach me gently, how to breathe

And I'll cross oceans, like never before
So you can feel the way I feel it too
And I'll mirror images back at you
So you can see the way I feel it too

Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on
Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on

Maybe I had said, something that was wrong
Can I make it better, with the lights turned on


Beijos, remetente.

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